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Blog UzzAIBastidor • Processo

Nosso blog dizia 7 minutosde leitura. Era 1.

Rodamos no nosso próprio site a auditoria que fazemos nos outros. O erro estava em 26 dos 30 posts, e fazia o cronômetro da tela contar errado. Conta inteira, com números.

8/1/20266 minBy Pedro Vitor PagliarinFundador da Uzz.Ai
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Nosso blog dizia 7 minutos de leitura. Era 1.

Nosso blog dizia 7 minutos de leitura. Era 1.

A auditoria que a gente faz nos outros, rodada em casa.

A gente publica sobre auditar o site dos outros. Sobre número que ninguém confere, informação vencida no ar, texto que a IA gerou e ninguém revisou.

Então essa parte é justa: rodamos a auditoria no nosso próprio blog e o erro estava nos 30 posts. Em todos.

Não é grave no sentido de causar prejuízo. Ninguém perdeu dinheiro. Mas é exatamente o tipo de erro sobre o qual a gente escreve — um número digitado à mão, que parecia certo, que ninguém recalculou, e que ficou no ar meses dizendo uma coisa que não era verdade.

Vale contar inteiro, com os números. Contar pela metade seria o mesmo defeito outra vez.

A tese, em uma frase

Todo número publicado que ninguém verifica vira decoração. O nosso virou mentira — e ficou meses assim.

O que estava errado

Todo post do blog tem um campo de tempo de leitura. É aquele “7 min” que aparece embaixo do título, ao lado da data.

Nos 11 posts da série Radar, esse campo dizia 7 min.

O texto real desses posts tinha entre 155 e 225 palavras.

A 200 palavras por minuto — média conservadora para leitura em português, e a mesma constante que o nosso código usa — 200 palavras levam cerca de 1 minuto. Não 7.

O erro não era de arredondamento. Era de sete vezes.

E não estava só no Radar. Ao medir os 30 posts publicados, os 30 estavam errados por 2 minutos ou mais. Nenhum acertou. O que chegou mais perto foi o post mais longo do blog: declarava 12 minutos e media 10.

Todos erravam para o mesmo lado — para cima. Nenhum post subestimava o próprio tamanho.

Por que o erro passou

A explicação é chata, e é justamente por isso que vale registrar: o número era digitado à mão.

Quem criava o post estimava o tempo de leitura e escrevia. Na hora, a estimativa era um chute razoável — quem escrevia tinha na cabeça o post que pretendia fazer, não o que acabou saindo. Depois o texto encurtou, ou nunca chegou no tamanho planejado, e o número ficou.

Repare no que não aconteceu: ninguém mentiu, ninguém foi descuidado, ninguém tomou uma decisão errada. O campo simplesmente não pertencia a ninguém. Não existia etapa chamada “conferir o tempo de leitura”, então nunca existiu o momento em que alguém olharia aquilo de novo.

É o mesmo padrão que descrevemos no post sobre IA sem revisão: o problema não é falta de cuidado, é ausência de dono. Número sem dono envelhece sozinho.

O erro tinha uma segunda vítima

Aqui deixa de ser um detalhe de metadado.

O blog tem um cronômetro na tela: um anel em volta do olho da nossa marca, que vai se esvaziando conforme você desce a página, como a barrinha de uma story. Ele existe pra dar noção de quanto falta.

Esse anel lê o campo de tempo de leitura. Então, num post que declarava 7 minutos e tinha 45 segundos de texto, o anel se programava pra gastar sete minutos. Quem terminava de ler chegava no fim da página com o cronômetro ainda no começo.

O componente estava certo. A conta dele estava certa. O dado que ele recebia é que estava mentindo — e o resultado é que a peça mais visível do blog, construída justamente pra criar sensação de ritmo, comunicava o contrário do que estava acontecendo.

Erro em número raramente fica contido no número. Ele vaza pra tudo que se apoia nele.

O que a gente fez

Três coisas, em ordem — e a segunda eu não esperava.

Primeiro, medimos. Escrevemos um script que abre cada post, extrai só o texto que o leitor de fato lê — título de seção, parágrafo, item de lista, caixa de destaque, legenda — e ignora caminho de imagem, nome de variante e código. Aí compara com o número declarado.

Depois, descobrimos que o script também estava errado. Na primeira versão ele contava duas vezes o mesmo parágrafo, nos casos em que o formatador de código tinha quebrado a linha entre o nome do campo e o texto. O total inflava em quase 100% — e só nos arquivos mais novos, que eram justamente os que eu estava escrevendo naquele dia.

O que salvou foi um número implausível: um post que eu tinha acabado de escrever, com mais ou menos 1.100 palavras, apareceu com 2.100. Se o erro fosse de 10%, teria passado direto.

Por último, corrigimos com régua. Todo post com diferença de 2 minutos ou mais foi ajustado. A régua existe porque um texto de 1.400 palavras que diz 8 minutos e mede 7 está arredondando, não mentindo, e mexer nele só sujaria o histórico. Nenhum dos 30 estava dentro dela.

E três posts cresceram: os que tinham tema pra sustentar um artigo foram de ~200 para mais de 1.000 palavras. Aí o tempo declarado voltou a ser verdade porque o texto mudou — não porque o número mudou.

O script ficou no repositório. Agora dá pra rodar antes de publicar.

O que a auditoria devolveu

  1. 130 posts medidos.
  2. 230 fora da régua de 2 minutos. Nenhum acertou.
  3. 311 posts do Radar declaravam 7 min e tinham entre 155 e 225 palavras.
  4. 4O post mais longo chegou mais perto: dizia 12 min e media 10. E ainda errou.
  5. 5Todos erravam para cima. Nenhum subestimava.
  6. 63 posts cresceram de ~200 para mais de 1.000 palavras.
  7. 71 bug encontrado no próprio script de auditoria, antes de confiar nele.

Onde esse argumento para de valer

Três ressalvas honestas.

Tempo de leitura é estimativa, não medida. 200 palavras por minuto é uma média que não descreve ninguém com exatidão: quem lê rápido faz na metade, quem está no celular dentro do ônibus faz no dobro. Precisão nunca foi o ponto. O ponto é não errar por sete vezes.

A ferramenta que mede também erra. Errou aqui, na primeira versão, e o que salvou foi um número absurdo o bastante pra chamar atenção. Auditoria não elimina erro — troca um erro invisível por um erro que alguém pode ver. É melhor, e não é garantia.

E publicar isso não nos coloca acima de quem não auditou. A gente achou um erro. Isso significa que existe pelo menos uma categoria de erro que sabemos procurar, não que o resto esteja limpo. Provavelmente tem outros números no site que ninguém conferiu, e a única forma de saber é continuar procurando.

Auditoria não é selo que se ganha. É coisa que se faz de novo.

Pergunta de auditoria

Qual número está publicado no seu site hoje sem que ninguém tenha conferido desde o dia em que foi escrito? Preço, prazo de entrega, horário de funcionamento, quantidade de clientes atendidos.

O motivo de contar isso com número, em vez de contar em geral, é simples: a versão vaga não serve de nada. “Identificamos inconsistências e aprimoramos nosso processo” não ensina ninguém e não custa nada dizer.

7 minutos declarados, 1 minuto real, 30 posts corrigidos, um bug no próprio medidor, um script no repositório — isso dá pra verificar.

Se a gente escreve sobre auditar os outros, o mínimo é mostrar a nossa aberta.

Veredito Uzz.Ai: adotar

Prática avaliada: medir por script todo número que o site declara, em vez de confiar no que foi digitado à mão.

Quem precisa olhar isso: quem tem preço, prazo ou horário publicado há mais de seis meses. Comece pelo número que mais dói se estiver errado.

Quer saber quais números do seu site estão desatualizados?

A gente roda a mesma auditoria no seu site e te devolve a lista do que está no ar sem conferência.

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